conferência internacional

2012
Debater o futuro e aprender com o passado é a recomendação dos especialistas

Debater o futuro e aprender com o passado é a recomendação dos especialistas

13 junho, 2012


Rio+20 é mais um passo nas mudanças propostas em Estocolmo há 40 anos; Conferência Ethos Internacional 2012 homenageia o professor Ignacy Sachs no encerramento

A importância da realização de conferências como a de Estocolmo, em 1972, primeira reunião da ONU sobre questões de desenvolvimento, a Rio92, quando foram apresentados impactos no clima, e a Rio+20, primeira a considerar a nova era mundial, foi amplamente reforçada pela plenária de encerramento da Conferência Ethos Internacional 2012.

Estavam presentes à mesa Achim Steiner, subsecretário-geral-adjunto da ONU e diretor-executivo do Pnuma; Carlos Lopes, subsecretário-geral da ONU, diretor-executivo do Unitar, em Genebra, e da UNSSC, em Turim; Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República; Ignacy Sachs, professor, economista e referido como “ecossocioeconomista”, que lançou alguns dos principais fundamentos do debate contemporâneo sobre o desenvolvimento; Jorge Abrahão, diretor-presidente do Instituto Ethos; e Paulo Itacarambi, vice-presidente do Instituto Ethos.

Eles expuseram a necessidade de mudança no modo como se enxergam as relações em diversos níveis – desde as questões internacionais até o trato com as comunidades – e a da formação de consciência de responsabilidade, ao lado do cenário atual de busca por um desenvolvimento global equilibrado.

Ignacy Sachs, cuja experiência de vida lhe confere uma capacidade analítica peculiar, explicou a necessidade de olhar para o futuro, mas utilizar o que se aprendeu no passado. “Estamos em meio à Rio+20, mas devemos imaginar o que será discutido em 2016, em 2030 e na Conferência Estocolmo+40. A humanidade deve pensar na co-habitação do planeta, lembrando o que aconteceu anteriormente, entre pontos positivos, negativos, vitórias e derrotas. O ser humano é capaz de aprender, e devemos estar em constante aprendizado.”

Diante do debate, Achim Steiner falou sobre o histórico das discussões sobre o desenvolvimento, reforçando que o problema que está sendo discutido na Rio+20 é cumulativo. “Mais do que tudo, o homem deve trabalhar sua autoconscientização”, disse. “O período antropoceno deve ser de colaboração e discussão contínua. Dificilmente novos modelos de economia agradarão a todos, mas o que importa é que se chegue à consciência de que o papel é de cada um, não do Estado ou das empresas.”

Foram colocadas questões específicas, como a necessidade de investimento na geração de energia limpa, para substituir os recursos fósseis. Nesse aspecto, surgiu o exemplo de países africanos, que, apesar de serem economicamente tímidos, já utilizam recursos alternativos como energia eólica e solar. A valorização das florestas também surgiu no debate, mas os especialistas não se referiam ao valor financeiro. “Tudo o que é monetário é corruptível”, afirmou Ignacy Sachs.

O grupo concordou que a geração atual já surgiu pensando em desenvolvimento sustentável e que essa questão é antropológica. Carlos Lopes reforçou que deve haver responsabilidade com o que será deixado para a próxima geração. “Em 20 anos, a África terá o dobro da população atual. Isso pode ser uma bomba, ou uma oportunidade, conforme nossas atitudes.”

Tudo depende, segundo foi apresentado, do tipo de governança global que se utilize, das relações com a possível economia verde e de se manter o diálogo e as oportunidades apresentadas. “A falta do debate democrático talvez seja a maior causa de insucesso nas investidas anteriores. Porém, qualquer mudança é melhor que nenhuma. A cada geração, deve-se tirar uma lição dos erros e acertos do passado, em um processo cumulativo de aprendizado”, disse Ignacy Sachs, que foi homenageado no evento.

Quem encerrou a conferência foi o ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho. Ele reforçou a importância do contexto em que acontece a Rio+20. “Estamos vivendo um momento de pensar no futuro. Nossa ambição se reflete na coragem de elaborar propostas mais profundas e radicais, capazes de romper com os modelos atuais. O tecido social brasileiro é um campo florido de iniciativas e devemos aproveitar essa disposição para mobilização.”

Crédito da Foto: Adilson Ferreira/Instituto Ethos
Legenda da Foto: Ignacy Sachs

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